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  1. Agronegócio

Brasil importa álcool da Argentina 14 vezes acima da média histórica

Importações brasileiras de álcool etílico da Argentina chegaram a 66.819 toneladas em 2025, 14 vezes acima da média histórica de 4.473 toneladas.

Por··4min
Ilustração editorial sobre o capítulo comércio exterior do comércio exterior brasileiro
Ilustração editorial sobre o capítulo comércio exterior do comércio exterior brasileiro

Resumo

  • •Importações de álcool etílico da Argentina somaram 66.819 toneladas em 2025, 14 vezes acima da média histórica plurianual de 4.473 toneladas.
  • •Volume é o maior registrado nesse corredor — muito acima do padrão anterior de até 8 mil toneladas em anos de compra pontual.
  • •Entressafra da cana brasileira e desvalorização do peso argentino são os drivers mais prováveis da arbitragem de preço que sustentou o fluxo.
  • •Proximidade logística entre Paraná e províncias argentinas como Tucumán e Jujuy reduziu custo de frete e viabilizou o volume.
  • •Risco de concentração: volatilidade cambial e regulatória argentina pode interromper o corredor em anos de estresse simultâneo nos dois países.

O Brasil importou 66.819 toneladas de álcool etílico da Argentina em 2025 — 14 vezes acima da média histórica plurianual de 4.473 toneladas. É o maior volume registrado nesse corredor, e a distância para o padrão anterior é considerável.

Volume vs média histórica
Volume vs média históricaVolume do período atual em 66.819.283 kg contra média histórica de 4.472.876 kg.4,47ktMédia histórica66,82ktPeríodo atual

Álcool etílico — usado em combustíveis, indústria química, farmacêutica e bebidas — é produzido no Brasil em larga escala, principalmente a partir de cana-de-açúcar. Que o Brasil tenha buscado volume adicional da Argentina nessa magnitude levanta questões sobre oferta interna e competitividade de preço que merecem análise.

O que está por trás

A primeira leitura plausível é déficit de oferta doméstica em janelas específicas. A safra de cana-de-açúcar brasileira tem ciclo de entressafra entre novembro e março. Nos períodos de menor moagem, a disponibilidade de etanol de cana cai e o preço no mercado interno sobe. A Argentina produz álcool principalmente a partir de grãos — milho e sorgo — com sazonalidade distinta, o que pode ter criado uma janela de arbitragem favorável para o Brasil comprar a preços competitivos.

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A segunda leitura é preço. A desvalorização do peso argentino ao longo de 2024 barateou as exportações argentinas de maneira geral. Mesmo com frete terrestre e as alíquotas do Mercosul, o álcool argentino pode ter chegado ao Sul do Brasil em condições competitivas frente ao produto local ou ao álcool importado de origens mais distantes, como EUA ou Europa.

A terceira é capacidade de escoamento. A proximidade logística entre o Paraná e províncias produtoras de álcool no norte argentino — como Tucumán e Jujuy — reduz o custo de frete em relação a fornecedores mais distantes. Caminhoneiros da região Sul operam esse corredor com frequência, o que dá agilidade operacional ao fluxo.

O contexto que importa

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol, atrás apenas dos EUA. A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) projeta safras crescentes no Centro-Sul, mas a demanda também cresce com o mandato de mistura de etanol na gasolina — hoje fixado em 27%. Em anos com safra abaixo do esperado ou com demanda de combustível mais alta que o projetado, a importação pontual funciona como válvula de ajuste.

O que diferencia 2025 é o volume absoluto. Compras de ajuste do Brasil à Argentina raramente passavam de 5 a 8 mil toneladas anuais em anos anteriores. Chegar a quase 67 mil toneladas implica contratos de abastecimento mais estruturados, possivelmente envolvendo distribuidoras regionais do Sul do Brasil além de compradores industriais do setor químico e farmacêutico.

Risco de concentração

Depender da Argentina para cobrir gaps de abastecimento de álcool não é isento de risco. A Argentina enfrenta volatilidade regulatória e cambial acima da média histórica. Um peso mais valorizado ou restrições de exportação impostas pelo governo argentino em episódios de desabastecimento interno interrompem o fluxo sem aviso. O corredor funciona bem em anos normais. Em anos de estresse simultâneo nos dois países, torna-se frágil — e sem alternativa estruturada para absorção imediata do volume.

Implicações pra você

Esta análise é escrita pela Redação Kyrodata a partir de dados oficiais. Ver metodologia →

Os dados por trás da matéria

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Importação BRSH4 2207 · Álcool etílico não desnaturado, com um teor alcoólico em volume igual ou superior a 80 % vol; álcool etílico e aguardentes, desnaturados, com qualquer teor alcoólico
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Fontes

  • ·MDIC ComexStat — capítulo 2207 (2025)
  • ·Kyrodata — dashboard interativo SH4 2207 (2025)

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Redação Kyrodata
  • Coreia do Sul vira 1º em chip importado pelo Brasil em 2026

    Coreia do Sul vira 1º em chip importado pelo Brasil em 2026

  • Pra exportadores
    • Produtores de etanol de cana devem monitorar se o volume argentino está pressionando preços no mercado interno do Sul, especialmente em períodos de entressafra, quando normalmente se beneficiariam de uma oferta local mais restrita.
    Pra importadores
    • Distribuidoras e indústrias que buscam álcool da Argentina devem incluir cláusulas de câmbio nos contratos — a volatilidade do peso pode inverter a paridade de preço rapidamente. Manter estoques estratégicos de álcool nacional montados durante a safra é a proteção mais direta contra ruptura do corredor.

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