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  1. África

Egito abre espaço: amendoim brasileiro cruza 4.000 t no ano

No fechamento de 2025, o Brasil exportou 4.171 toneladas de amendoim cru para o Egito, contra média histórica de apenas 436 toneladas anuais.

Por··4min
Ilustração editorial sobre o capítulo comércio exterior do comércio exterior brasileiro
Ilustração editorial sobre o capítulo comércio exterior do comércio exterior brasileiro

Resumo

  • •Brasil exportou 4.171 t de amendoim cru ao Egito em 2025, contra média histórica de 436 t/ano
  • •Salto de quase dez vezes no corredor Brasil–Egito no fechamento de 2025
  • •Câmbio e safra acima da média favoreceram competitividade brasileira no mercado egípcio
  • •Egito é maior consumidor de amendoim do mundo árabe, com demanda crescente em processamento
  • •Corredor ainda incipiente, mas com precedente aberto para consolidação em 2026

O Brasil exportou 4.171 toneladas de amendoim cru para o Egito em 2025 — um volume que supera em quase dez vezes a média histórica do corredor, segundo dados do MDIC ComexStat. Nenhuma safra anterior havia empurrado esse par de países tão perto de uma rota consolidada.

Volume vs média histórica
Volume vs média históricaVolume do período atual em 4.171.000 kg contra média histórica de 435.700 kg.436tMédia histórica4,17ktPeríodo atual

O movimento chama atenção pelo tamanho do salto. A média plurianual do corredor Brasil–Egito para amendoim girava em torno de 436 toneladas por ano. O fechamento de 2025 colocou o país africano numa posição que os maiores mercados compradores de amendoim brasileiro levaram anos para ocupar. É uma abertura de corredor, não uma flutuação sazonal.

O que pode explicar

O Egito é o maior consumidor de amendoim do mundo árabe, e sua indústria de processamento — óleo, pasta e snacks — importa volumes elevados de origens diversas. Uma abertura de espaço para o Brasil pode estar associada a restrições de oferta de fornecedores habituais, ou a ganhos de competitividade que o produto brasileiro obteve com o câmbio.

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Ao longo de 2025, a desvalorização do real ante o dólar tornou o amendoim brasileiro mais barato para importadores que compram em dólar. Para um comprador egípcio, o diferencial de preço entre origem brasileira e argentina encolheu. Em momentos de dólar alto, o Brasil historicamente ganha espaço em corredores que antes eram dominados por outros sul-americanos.

Safra acima da média também pesa. O Brasil encerrou 2024/25 com produção de amendoim elevada nas regiões de São Paulo e Goiás, as principais produtoras do país. Mais oferta interna, custo de produção distribuído sobre maior volume, preço de exportação competitivo e câmbio favorável formam o triângulo clássico de abertura de corredor em oleaginosas.

O mercado egípcio de amendoim

O Egito processa amendoim para óleo vegetal e consumo direto, com demanda crescente de snacks embalados no varejo urbano. A abertura egípcia para fornecedores sul-americanos não é nova — a Argentina já vendia volumes regulares por anos. O Brasil, que carecia de presença histórica nesse destino, parece ter aproveitado uma janela de abastecimento no fechamento de 2025.

Dados globais de comércio indicam que o Egito importou perto de 100 mil toneladas de amendoim em 2024, majoritariamente de Argentina e EUA. O Brasil representa, mesmo após o salto de 2025, fatia pequena do total egípcio — mas o precedente comercial já está aberto. Um importador egípcio que testou a origem brasileira em 2025 vai ter essa opção no radar para o ciclo seguinte.

Onde o Brasil se posiciona

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de amendoim, atrás da China. A quase totalidade da produção nacional vai para consumo interno e para a cadeia de amendoim in natura. As exportações históricas do produto concentram-se na Europa e no Oriente Médio.

O corredor brasileiro para a África vem crescendo desde 2022, primeiro em proteínas animais e agora em oleaginosas. O Egito, por ser porta de entrada logística para o norte da África e o Mediterrâneo oriental, é parceiro estratégico se o Brasil quiser diversificar além de Europa e Ásia. Cairo reexporta para mercados menores da região, o que amplia o alcance de qualquer volume embarcado.

Esta análise é escrita pela Redação Kyrodata a partir de dados oficiais. Ver metodologia →

Os dados por trás da matéria

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Exportação BRSH4 1202 · Amendoins não torrados nem de outro modo cozidos, mesmo descascados ou triturados
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Fontes

  • ·MDIC ComexStat — capítulo 1202 (2025)
  • ·Kyrodata — dashboard interativo SH4 1202 (2025)
  • ·CONAB — Acompanhamento da Safra Brasileira (2025)
  • ·IBGE — Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (2025)

Tópicos

ÁfricaEgitoExportaçõesOleaginosasAmendoim
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Redação Kyrodata
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  • Se o volume de 2025 se repetir ou crescer em 2026, o corredor deixa de ser experimental. Se recuar, pode ter sido uma abertura pontual aproveitada por uma ou duas tradings. O MDIC ComexStat vai mostrar a resposta no primeiro semestre do ano que vem.

    Implicações pra você
    Pra exportadores
    • avaliar continuidade do corredor Egito em 2026 antes da safra 2025/26 encerrar; registrar junto à Receita Federal o enquadramento de produto para aproveitamento de benefícios de drawback e isenção de ICMS sobre exportação.
    Pra importadores
    • o volume ainda é pequeno no contexto global egípcio; empresas que fornecem insumos para processamento de amendoim no Egito podem monitorar se a demanda por origem brasileira se consolida ou recua com normalização de oferta argentina.

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