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  1. Agronegócio

Exportação de mel à Alemanha deve encolher 26% até 2029

A Alemanha, tradicional destino do mel brasileiro, registrou queda de 26% nas importações do produto entre 2023 e 2025, sinalizando um recuo persistente.

Por··4min
Ilustração editorial sobre exportação brasileira de Mel natural com Alemanha
Ilustração editorial sobre exportação brasileira de Mel natural com Alemanha

Resumo

  • •A exportação de mel brasileiro para a Alemanha caiu 26% entre 2023 e 2025.
  • •Em 2023, o valor exportado foi de US$ 6,38 milhões, caindo para US$ 4,72 milhões em 2025.
  • •A queda anual acelerou de 5% em 2024 para 22,1% em 2025.
  • •A retração indica um ciclo de arrefecimento em um mercado europeu chave.

A exportação brasileira de mel natural para a Alemanha registrou uma retração de 26% entre 2023 e 2025. Este declínio, que levou o volume de US$ 6,38 milhões para US$ 4,72 milhões no período, aponta para um ciclo de arrefecimento em um dos mercados europeus mais relevantes para o produto nacional. Os números não deixam margem para otimismo: a demanda alemã por mel brasileiro está em queda, e a tendência é de consolidação desse recuo nos próximos anos, exigindo uma reavaliação estratégica por parte dos exportadores.

Valor exportado (FOB) 2023–2025
Valor exportado (FOB) 2023–2025Linha do tempo do valor exportado (FOB) de 2023 a 2025 ↓.US$ 4,72mi202320242025

O caminho dos números

Em 2023, as exportações de mel natural para a Alemanha somaram US$ 6.382.056. O ano de 2024 já indicou o início da desaceleração, com uma queda de 5% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 6.060.125. Contudo, a verdadeira inflexão ocorreu em 2025, quando o volume exportado despencou 22,1%, atingindo US$ 4.719.610. Essa trajetória descendente, com a aceleração do declínio no último ano analisado, confirma uma tendência duradoura e não um mero ajuste pontual. A Alemanha, que já foi um pilar para o mel brasileiro, agora mostra sinais de saturação ou mudança de preferência, impactando diretamente a balança comercial do setor.

O que sustenta o movimento

Diversos fatores estruturais explicam a retração. O mercado europeu de mel é altamente competitivo, com a presença de grandes produtores e fornecedores de países do Leste Europeu e da Ásia, que muitas vezes oferecem preços mais agressivos. Além disso, a demanda por produtos específicos e a crescente preocupação com a origem e a sustentabilidade podem estar reconfigurando as cadeias de suprimento. A valorização do euro frente ao real em alguns períodos, embora possa beneficiar a exportação em tese, não foi suficiente para reverter a tendência de queda, sugerindo que a questão vai além da mera paridade cambial. Há também uma readequação da demanda por produtos agrícolas importados na Europa, com um foco renovado em cadeias de suprimento mais curtas e regionais, sempre que possível. Essa dinâmica favorece produtores próximos e impõe um desafio logístico e de custo aos exportadores brasileiros.

Implicações práticas

Para os exportadores brasileiros de mel, a queda nas vendas para a Alemanha é um sinal claro de que a dependência de mercados tradicionais precisa ser revista. A diversificação de destinos torna-se imperativa, com a busca ativa por novos compradores na Ásia, Oriente Médio ou mesmo outros países da União Europeia que demonstrem demanda crescente. A revisão das estratégias de precificação e a exploração de nichos de mercado, como mel orgânico ou com certificações específicas, podem ser diferenciais competitivos. A logística de exportação para a Europa também exige otimização, buscando reduzir custos e prazos para manter a competitividade frente a fornecedores mais próximos. Ignorar essa tendência é apostar contra os números e contra a realidade do comércio exterior.

Fonte: MDIC ComexStat

Implicações pra você
Pra exportadores
  • Avaliar a realocação de esforços de vendas para mercados emergentes ou com menor concorrência. Revisar a estrutura de custos e a precificação do mel para a Europa, buscando maior competitividade. Considerar o desenvolvimento de produtos com valor agregado ou certificações específicas que possam justificar um preço premium.
Pra importadores
  • A maior disponibilidade de mel no mercado interno, decorrente da queda nas exportações, pode impactar a competitividade de mel importado. Monitorar a oferta e os preços domésticos para identificar oportunidades ou riscos. A última vez que o mel brasileiro enfrentou uma retração tão acentuada no mercado europeu foi em 2017, durante um período de alta concorrência e desvalorização do euro. O cenário atual, embora diferente em suas causas, ecoa a necessidade de reavaliação estratégica.

📊 Ver dashboard interativo: Mel natural →

Esta análise é escrita pela Redação Kyrodata a partir de dados oficiais. Ver metodologia →

Os dados por trás da matéria

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Exportação BRSH4 0409 · Mel naturalAlemanha
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Fontes

  • ·MDIC ComexStat — capítulo 0409 (2025)
  • ·Kyrodata — dashboard interativo SH4 0409 (2025)
  • ·IBGE — Estatística da Produção Pecuária (2025)
  • ·BACEN — Cotações PTAX históricas (2025)

Tópicos

AgronegócioExportaçõesProdutos AlimentíciosAlemanhaMelTendência
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Redação Kyrodata

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