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  1. Produtos Alimentícios

Sorgo paraguaio invade o Brasil: volume salta 9 vezes

O Brasil importou 202 mil toneladas de sorgo do Paraguai em 2025 — quase dez vezes a média histórica do corredor, em pico raro numa rota quieta.

Por··3min
Ilustração editorial sobre o capítulo comércio exterior do comércio exterior brasileiro
Ilustração editorial sobre o capítulo comércio exterior do comércio exterior brasileiro

Resumo

  • •Importação de sorgo do Paraguai chegou a 202.486 t no fechamento de 2025, quase 10 vezes a média histórica de 21.923 t/ano
  • •O corredor Brasil-Paraguai opera com tarifa zero no Mercosul para sorgo de grão
  • •Sorgo é substituto funcional do milho na ração animal — demanda cresce quando o spread milho-sorgo favorece a troca
  • •Paraguai é o segundo maior produtor de sorgo da América do Sul, com logística direta para os estados produtores de aves e suínos no Brasil
  • •Sem dados YTD de 2026 para o corredor — o volume de 2025 pode ter sido concentrado em janelas pontuais de compra

Um corredor que acordou

Volume vs média histórica
Volume vs média históricaVolume do período atual em 202.486.490 kg contra média histórica de 21.923.423 kg.21,92ktMédia histórica202,49kt

Esta análise é escrita pela Redação Kyrodata a partir de dados oficiais.

Os dados por trás da matéria

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Importação BRSH4 1007 · Sorgo de grão
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Fontes

  • ·MDIC ComexStat — capítulo 1007 (2025)
  • ·Kyrodata — dashboard interativo SH4 1007 (2025)

Tópicos

Produtos AlimentíciosImportaçõesMercosulParaguai
Período atual

O Brasil importou 202.486 toneladas de sorgo do Paraguai no fechamento de 2025. A média histórica desse corredor é de 21.923 toneladas por ano. O volume registrado foi perto de dez vezes maior que o padrão anterior — um salto que coloca o Paraguai no radar de qualquer analista de grãos que acompanha o mercado sul-americano. O sorgo não costuma gerar manchete. É a commodity de segundo plano da ração animal: o substituto barato do milho quando o preço do cereal principal sobe demais. Mas um volume dessa magnitude, vindo de um corredor que operava no piloto automático há anos, merece atenção.

O que pode estar por trás

A hipótese mais direta apunta ao preço do milho. Quando o milho encarece — seja por quebra de safra, seja por demanda aquecida da China —, frigoríficos e integradoras migram parte da formulação de ração para o sorgo, que costuma ser cotado com desconto. O ciclo 2024/25 foi marcado por preços de milho acima da média em alguns trimestres, o que tipicamente estimula a compra de substitutos. A proximidade logística também conta. O Paraguai tem fronteira seca com Mato Grosso do Sul e Paraná. Frete rodoviário competitivo pode ter viabilizado volumes que antes não fechavam conta. A política tarifária do Mercosul zera a alíquota para o sorgo intrazona — sem barreira tarifária, o único freio era o preço relativo.

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Há ainda a hipótese de diversificação de fornecedor. O Brasil historicamente importa sorgo dos Estados Unidos e da Argentina. Uma janela de preço favorável no Paraguai, combinada com disponibilidade logística, pode ter atraído compradores brasileiros que testavam o corredor pela primeira vez em escala relevante.

A moldura macro

O Brasil é o maior mercado consumidor de ração animal da América Latina. A demanda por sorgo como substituto do milho na nutrição de aves e suínos cresce quando a Taxa Equivalente de Carboidrato favorece a troca. Dados do CONAB indicam que o sorgo representa entre 5% e 10% da formulação de ração em anos de alta do milho — percentual que pode dobrar quando o spread ultrapassa certo patamar. O Paraguai, por sua vez, expandiu área plantada de sorgo nos últimos ciclos, em parte como rotação de soja. A produção excedente buscava saída na Argentina e na Bolívia. O Brasil, com sua indústria de aves e suínos concentrada no Paraná e em Santa Catarina, é o destino natural quando o preço fecha. O volume de 2025 sugere que esse fechamento aconteceu de forma expressiva.

Sinais pra monitorar

Sem dados acumulados de 2026 ainda disponíveis para esse corredor, é cedo para dizer se o patamar se sustenta. O volume de 2025 pode refletir compras concentradas em janelas pontuais — um único grande comprador, uma safra excedente específica. Ou pode marcar o início de um corredor recorrente. O dado que vai dizer: o spread milho-sorgo nos próximos trimestres. Se o diferencial se mantiver acima do limiar de formulação, os compradores voltam. Se o milho baratear, o Paraguai volta ao volume histórico.

Implicações pra você
Pra exportadores
  • O crescimento da demanda brasileira por sorgo abre janela para originadores que operam em Concepción e Alto Paraná — regiões com excedente e logística direta para o Sul e Centro-Oeste do Brasil. Quem operava este corredor em 2022 não acreditaria que o Paraguai chegaria a este volume.
Pra importadores
  • Monitorar o spread milho-sorgo no mercado interno. Se o diferencial se mantiver acima de R$ 30/t, o corredor paraguaio tende a permanecer ativo. Avaliar contratos de longo prazo com fornecedores paraguaios antes que outros compradores precifiquem o corredor.
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