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  1. Agronegócio

Brasil suspende cacau da Costa do Marfim — e ela fornecia tudo

Costa do Marfim respondia por quase 100% das importações brasileiras de cacau em grão no 1º semestre. Em fevereiro, o Brasil suspendeu o corredor.

Por··4min
Ilustração editorial sobre o capítulo comércio exterior do comércio exterior brasileiro
Ilustração editorial sobre o capítulo comércio exterior do comércio exterior brasileiro

Resumo

  • •Costa do Marfim forneceu 99,96% das importações brasileiras de cacau em grão de jan a maio de 2026
  • •FOB total do corredor: US$ 132,1 mi em apenas cinco meses
  • •HHI de 0,999 — praticamente o máximo possível de concentração de fornecimento
  • •O Brasil suspendeu importações de cacau fermentado/seco da Costa do Marfim em 26 de fevereiro de 2026 por risco fitossanitário
  • •Gana, Equador e Peru são substitutos teóricos, mas o prazo de habilitação sanitária supera 12 meses

No acumulado de janeiro a maio de 2026, o Brasil importou US$ 132,1 mi em cacau inteiro ou partido. A Costa do Marfim forneceu 99,96% desse total. Quatro países aparecem no registro do MDIC ComexStat — mas na prática o corredor funcionava como monopólio de um fornecedor só.

Destaque
A suspensão anunciada em fevereiro de 2026 transformou uma dependência estatística num ponto único de falha operacional.
Participação de mercado
Participação de mercadoParticipação de mercado atual de 99,96%.+100,0%Agora

A crise que tornou a concentração visível

O problema não era segredo do setor. A Costa do Marfim é o maior produtor mundial de cacau, e a lógica de fornecimento brasileiro sempre gravitou em torno dela. O que mudou em 2026 foi a escala do risco: pragas e doenças que assolaram as plantações marfinenses nos últimos dois anos — incluindo o fungo de vassoura-de-bruxa e surtos de podridão parda — elevaram o receio fitossanitário a ponto de o Ministério da Agricultura (MAPA) suspender, em 26 de fevereiro de 2026, as importações de cacau fermentado e seco originários do país. O bloqueio é quarentenário, não comercial. Mas o efeito prático é o mesmo.

O que o HHI diz sobre a fragilidade

O Índice Herfindahl-Hirschman da importação brasileira de cacau no período chegou a 0,999 — o máximo teórico é 1,0. Em mercados considerados monopolizados pela literatura econômica, o HHI já passa de 0,25. O Brasil estava dez vezes acima desse limiar. Com apenas quatro parceiros ativos e um respondendo por quase tudo, qualquer interrupção de fornecimento — fitossanitária, climática ou logística — se converte diretamente em escassez interna para a indústria chocolateira.

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O Brasil não é grande produtor de cacau. A Bahia e o Pará somam a maior parte da produção nacional, mas insuficiente para abastecer a demanda da indústria de chocolate, que exporta parte significativa de sua produção acabada. A dependência de grão importado é estrutural, e a Costa do Marfim preenchia esse gap quase integralmente.

Quais rotas existem se o corredor ficar fechado

Gana é o segundo maior produtor africano e historicamente o substituto natural para quem sai da Costa do Marfim. Equador e Peru aparecem como alternativas sul-americanas com cacau fino e de aroma, segmento diferente do grão standard marfinense, mas capazes de suprir parte do volume se o MAPA autorizar certificações específicas. A Indonésia, terceiro maior produtor global, tem cacau de qualidade mais heterogênea, mas com capacidade de escala.

O problema não é a existência de alternativas — é o tempo de habilitação fitossanitária. Abrir um novo corredor de importação de produto agrícola no Brasil exige inspeções, análises de risco de pragas pelo MAPA e, frequentemente, negociação de protocolo bilateral. Esse processo raramente leva menos de 12 meses.

Implicações pra você
Pra exportadores
  • chocolateiros brasileiros que exportam para mercados premium europeus precisam verificar se o cacau que processam tem rastreabilidade de origem aceita pelo regulamento de desmatamento da UE (EUDR) — uma eventual mudança de origem pode exigir nova certificação.

Esta análise é escrita pela Redação Kyrodata a partir de dados oficiais. Ver metodologia →

Os dados por trás da matéria

Explore a série completa no Kyrodata

Importação BRSH4 1801 · Cacau inteiro ou partido, em bruto ou torrado
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Fontes

  • ·MDIC ComexStat — capítulo 1801 (2026)
  • ·Kyrodata — dashboard interativo SH4 1801 (2026)

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AgronegócioRisco de ConcentraçãoImportaçõesCosta do Marfim
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Redação Kyrodata
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  • Pra importadores
    • empresas que dependem de cacau em grão devem monitorar a evolução da suspensão do MAPA e iniciar já o mapeamento de fornecedores alternativos em Gana ou Equador. Aguardar a reabertura do corredor marfinense sem plano B é um risco de abastecimento concreto para o segundo semestre.
    • o preço do cacau esteve em níveis historicamente elevados em 2024-2025 por causa de déficits globais de oferta — qualquer pressão adicional de escassez de grão no Brasil amplia o custo industrial antes que a transferência de preço chegue ao consumidor.

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